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Teoria da Aprendizagem Multimédia e Análise do Efeito de Modalidade


Este espaço, criado no âmbito da Unidade Curricular de Comunicação Educacional da 5ª edição do Mestrado em Pedagogia do eLearning da Universidade Aberta, propõe-se reflectir sobre a Teoria da Aprendizagem Multimédia, a partir da análise dos textos de Richard Mayer (2003) The promise of multimedia learning: using the same instructional design methods across different media e de Paul Ginns (2005) Meta-Analysis of the Modality Effects.


The promise of multimedia learning: using the same instructional design methods across different media
Richard Mayer (2003)

Síntese
Mayer coloca-nos perante uma ideia fundamental: existem vários princípios metodológicos na aprendizagem multimédia que demonstram que a associação de várias mensagens de medias diferentes aumentam a aprendizagem por parte dos alunos.

Frequentemente, o ensino escolar é dominado por um único meio de comunicação – o verbal, seja ele oral ou escrito. Claro que as palavras são importantes da educação; mas os modos verbais de instrução parecem basear-se numa percepção errada do modo com os alunos aprendem. O construtivismo demonstrou que os alunos procuram atribuir um sentido ao material verbal, pelo que a informação transmitida pelo professor não é exactamente a mesma que o aluno construiu. O que a investigação de Mayer permite concluir é que os alunos aprendem pior quando o único meio / media disponível para a aprendizagem é o verbal e que se a mesma informação for apoiada noutros meios /medias a aprendizagem se torna mais proveitosa. Por exemplo, palavras (texto impresso ou discurso oral) apoiadas por imagens (estáticas ou animadas) ou quaisquer outros suportes / meios / medias permitem um acréscimo significativo, mensurável, das aprendizagens. Note-se que não se trata necessariamente do recurso a novas tecnologias para melhorar as apredizagens: mesmo um livro com texto e imagem permite acréscimos significativos em comparação com um livro baseado apenas em texto escrito. Mas essa melhoria só se verifica mediante quatro condições ou princípios.

O lado promissor da aprendizagem multimédia é que a associação de mais do que um suporte (media) de aprendizagem permite obter melhores resultados. Por exemplo, a associação de texto (linguagem verbal) e imagem (linguagem não verbal), como já foi referido. Eis as questões fundamentais que nos são colocadas pela Aprendizagem Multimédia:

  • Os alunos aprendem mais profundamente a partir de mensagens multimédia do que só de mensagens verbais? Em que condições é benéfico juntar imagens às palavras?
  • Como é que a aprendizagem multimédia funciona?
  • Podem os alunos participar de uma aprendizagem activa quando aprendem a partir de medias que não permitem muita actividade?
  • Qual é o papel da tecnologia na promoção da aprendizagem?
  • Os diferentes métodos obtêm os mesmos resultados em diferentes suportes (medias), como, por exemplo, em ambientes baseados em livros ou em computadores?

A aprendizagem Multimedia faz-se por mensagens. A mensagem instrucional multimédia é uma apresentação que consiste em palavras e imagens e que se destina a promover a aprendizagem significativa. O principal desafio da Aprendizagem Multimédia é determinar como é possível que os alunos construam representações internas significativas.

Metodologicamente, Mayer refere que existem quatro princípios que permitem essa construção e que a seguir se detalham:

1. Princípio multimédia: Os alunos aprendem mais profundamente a partir de uma explicação multimédia apresentada em palavras e imagens do que se baseada apenas em palavras.

2. Princípio da coerência: Os alunos aprendem mais profundamente a partir de uma explicação multimédia quando os conteúdos estranhos [ao assunto (irrelevantes) são excluídos.

3. Princípio da contiguidade: Os alunos aprendem mais profundamente através de explicações multimédia quando as palavras e imagens correspondentes são apresentadas em proximidade em vez de afastadas umas das outras na página ou ecrã.

4. Princípio da personalização: Os alunos aprendam mais profundamente a partir de uma explicação multimédia quando as palavras são apresentadas num estilo coloquial do que num estilo formal.


Meta-Analysis of the Modality Effects
Paul Ginns (2005)

Síntese
O artigo de Paul Ginns, ora analisado, assenta sobre as pesquisas realizadas sobre o Principio da Modalidade. Este princípio enuncia a teorização de uma prática educativa que consiste na apresentação da informação gráfica recorrendo a uma forma visual, relacionada com a componente auditiva, utilizando para isso, métodos baratos como seja a gravação de aulas.

Pretendeu-se aquilatar o peso, a importância, a fiabilidade e eficácia de plataformas de ensino que utilizem os métodos audiovisuais para um melhor ensino e capacidade de aprendizagem. Um dos resultados apurados indica claramente que o Principio da Modalidade, poderá ser um método particularmente importante para os estudantes que aprendem através dos meios relacionados com a realidade virtual.

Um outro resultado, que entusiasmou os investigadores foi o facto de que utilizando uma ampla gama de materiais didácticos, os alunos que aprenderam com materiais didácticos que utilizaram gráficos com os textos falados, superaram aqueles que aprenderam a partir de gráficos com texto impresso.

Também o ritmo de apresentação parece influenciar a capacidade de aprendizagem, os investigadores concluíram que o princípio de modalidade foi maior naqueles estudos, onde o ritmo foi definido pelo calendário das condições dos materiais audiovisuais, além dos estudos, do que naqueles onde os alunos estudaram ao seu próprio ritmo. O efeito observado do Principio da Modalidade, nestas condições controladas deverá no entanto ser relacionado com os custos do processo de desenvolvimento de materiais de formação audiovisuais.

Ainda assim, os resultados destas investigações, deixam claro que o princípio de modalidade existe para ser aplicado numa gama mais ampla de ambientes educativos, deverão por consequência estar disponíveis métodos mais económicos e de mais fácil implementação.


Trabalho efectuado por: Francisco Pereira, Rui Páscoa, Sérgio Lagoa, Zélia Patrocínio

Maio de 2011